sábado, 1 de janeiro de 2011

China Doll, ou a boneca que falava pior do que se falasse em chinês


Ninguém entendia o que ela dizia. Nascera muda, apesar do dom das palavras cada vez mais aprimorado... talvez com menos jeito, mas que galgava, galgava, esse tal do dom das palavras. Talvez o sítio onde estivesse chegando desse modo, não fosse o melhor sítio, mas pelo menos era um sítio, e sempre se chega, já que é preciso que se chegue para se poder partir. Apesar disso, ninguém entendia. Do lado de fora, não se ouviam as palavras. Gesticulava, abria e fechava a boca, mas do lado de fora, não havia palavra que se ouvisse. Não conseguia. E quando conseguia, as palavras misturavam-se-lhe na boca, embaraçavam-se-lhe por entre língua, dentes e traziam consigo significados que não lhes atribuía... mas as palavras era ela quem as proferia... mas ninguém entendia o que ela dizia... ou o que ela queria dizer. Estava só para sempre, guardada dentro da redoma de vidro, só com aquelas palavras que só ela entendia... ou que nem ela entendia.

2 comentários:

APO (Bem-Trapilho) disse...

oi linda!
sem tempo, para nao variar, mas quis vir dar-te um bjinho.
SAUDADES amiga!

Porcelain Doll disse...

APO: beijãããooo!! ;)